terça-feira, 11 de setembro de 2007
Não mudou mas há-de mudar

Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Good moaning!
CSI? Não, ASAE
Quem é responsável por estas coisas parece ter encontrado na ASAE a solução para todos os problemas em Portugal. É por isso que digo: ASAE à Praia da Luz, já.
Desta é que é
Mas hoje, corrigida que foi a medicação depois de mais uma ida ao médico e descoberta que foi a causa da alergia estou de volta e, espero, com alguma regularidade.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
domingo, 26 de agosto de 2007
domingo, 5 de agosto de 2007
(E)missão interrompida
O trabalho é muito, a família está completa e, como é hábito dizer-se, quem muitos burros toca algum fica para trás. Por isso este blog interrompe aqui a emissão (verdade é que já tinha interrompido há mais de uma semana) sem data definida para o seu regresso. Boas férias para todos os que podem ter esse privilégio.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Songs of mass destruction

Este é único motivo que me faz querer que o tempo passe depressa. O quarto álbum a solo da ex-vocalista dos Eurythmics, Annie Lennox, está previsto para Outubro, no Reino Unido. Não sei quando chegará a Portugal mas seria das primeiras da fila se houvesse uma.
Adquiri o primeiro álbum dos Eurythmics quando tinha 12 anos (“Revenge”) e desde aí, já lá vão 22 anos, sou fã incondicional. E digo incondicional porque o que quer que os Eurythmics ou Annie Lennox façam eu gosto antes mesmo de ouvir. Tenho toda a discografia à excepção de “1984”. Imperdoável, é verdade, mas é lacuna que espero resolver brevemente.
Este novo trabalho da “diva” inclui uma faixa (“Sing”, uma espécie de hino feminista) que conta com a contribuição de 23 mulheres do mundo da música como Melissa Etheridge, Madonna, Sarah McLachlan, Celine Dion, Stacy Ferguson, Faith Hill, Pink, Dido, Gladys Knight, kd lang, Bonnie Raitt, Shakira, Joss Stone e KT Tunstall. São muito boas notícias.
quarta-feira, 25 de julho de 2007
A memory a day keeps the doctor away III
Como podem ver por aqui ainda se anda a mexer no baú das memórias. Esta é provavelmente uma das melhores músicas de sempre de um genérico.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Yves Leterme
Ao contrário da maioria dos blogs que por esta altura anunciam o abrandamento da “postagem” por irem a banhos, por aqui também será menos frequente a minha presença, mas pelo motivo oposto. O trabalho aperta e não deixa tempo para mais nada. Mas o meu pouco tempo não pode servir de desculpa para passar ao lado do acontecimento de que só hoje infelizmente tive conhecimento.
Numa altura em que no maior partido da oposição não se vislumbram candidatos que possam fazer frente ao actual presidente e tendo em conta que nos últimos anos é opinião generalizada que em Portugal não se consegue fazer a renovação da classe política, vale a pena olhar para a Bélgica. Este vídeo é um mimo:
O futuro primeiro ministro, que não sabe o que se comemora no feriado nacional e que, quando lhe é pedido que cante “ La Brabançonne” (hino nacional belga) se sai com “La Marseillaise (hino nacional francês), nem sequer é o único, como poderão ver no vídeo.
Até o Jerónimo de Sousa era capaz de melhor.
domingo, 22 de julho de 2007
Os Cinco ( versão governamental )

VERSÃO ORIGINAL
Where ever there's adventure to be found
Just a clue or a secret message
bring the Famous Five around.
When ever there's a mystery to be solved
up in the ruined castle
or down in Smugglers Cove.
We are the Famous Five
Julian, Dick and Anne, George and Timmy the Dog.
We are the Famous Five
We're coming back to you
Whenever there's time
Time after time.
VERSÃO ADAPTADA
Where ever there’s an opinion
to be told
just a comment or secret thought
bring the Famous Five around
What ever you say outside your house
whether you’re a teacher from DREN
or the author of a blog
We are the Famous Five
Zé, Lurdes and Tó, Gusto
And Pinho the Clown
We are the Famous Five
we’re coming after you
where ever you are
who ever you are
sexta-feira, 20 de julho de 2007
A memory a day keeps the doctor away II
E como é fim de semana e eu sou a generosidade em pessoa aqui fica mais uma preciosidade (ainda bem que não tenho filhos, senão como é que lhes explicava que cresci a ver isto e até gostava...):
quinta-feira, 19 de julho de 2007
A memory a day keeps the doctor away
Por isso dá-se hoje aqui início a uma nova rubrica dedicada aos genéricos dos programas das nossas vidas. Quem é que não se lembra disto?
* o meu “petit nom” não é nit, mas é foneticamente parecido. Foi só para garantir veracidade à história.E o jarro da água é uma "private joke" que espero não levem a mal :-)
The Great Woody
COMPLETE PROSE, "Selections from the Allen notebooks", Without feathers
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Não é profeta, será mago?
Ao contrário de muitas pessoas, e ainda mais contra o que de mim pensa quem me conhece, gosto quando descubro que estava enganada. Porquê? Porque não raras vezes prova, primeiro, que eu não dispunha de informação suficiente para sustentar a minha opinião e isso leva-me a procurar saber mais; segundo, prova que não sou de ideias fixas e tenho a versatilidade suficiente para mudar de ponto de vista.Não é, contudo, o que me acontece em relação a José Saramago. Quando ouvia só falar de Saramago, achava que não gostava dele. Quando o fiquei a conhecer melhor, sobretudo do ponto de vista ideológico, fiquei mais certa de que não gostava dele. Quando ele ganhou o Prémio Nobel, como nunca tinha lido nada da sua autoria (embora tivesse tentado) não me pronunciei, embora achasse que não gostava do que ele escrevia. Quando finalmente li um dos seus livros (lamento, mas recuso-me a ler mais algum), fiquei absolutamente segura de que não gostava do que ele escrevia. Mas perante a importância de tal prémio continuei a achar que era eu que estava errada em não gostar dele.
Mas desta vez não me enganei e qualquer probabilidade de vir a gostar dele esfumou-se ontem com a entrevista de Saramago ao Diário de Notícias. Hoje digo, com absoluta certeza e a título definitivo: eu não gosto dele!
P.S. Na frase em que Saramago diz: ” Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria” eu leio “Provavelmente [Saramago] teria de mudar de nacionalidade e passar a chamar-se espanhol.”
domingo, 15 de julho de 2007
quinta-feira, 12 de julho de 2007
As outras maravilhas
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Game, set, match
Não pratico desporto por falta de tempo. Há uns anos atrás ainda tinha umas horas semanais para ginásio mas hoje nem isso. Permanece contudo o apreço pelo desporto enquanto espectadora. E na qualidade de espectadora a temporada desportiva de verão acabou no domingo com a final masculina do torneio de Wimbledon.
Tenho acompanhado futebol ao longo da vida ao ponto de preencher cadernetas de cromos quando era miúda, com particular preferência pelas de caricaturas. Quem sobrevive às caricaturas do Manuel Bento e do Frasco e dos seus respectivos bigodes está preparado para tudo. Mas à medida que a desilusão com o futebol, para o que as caricaturas em nada contribuiram, se ia instalando, crescia o gosto pelo ténis.
Como não venho de uma família de betos nunca joguei ténis nem tive quem me explicasse as regras. Só para avisar que esta é a perspectiva de alguém que nunca praticou a modalidade e que aprendeu tudo o que sabe à custa de horas infindáveis em frente à televisão e a copiar o desenho de um “court” a partir de uma enciclopédia. Portanto se estão à espera de teses sobre “amorties” e “passing shots” é melhor procurar noutro lado.
Quando alguém diz que "detesta os aficionados do ténis" eu quase penso que me detesta a mim. Mas depois recupero a auto estima que nunca tive porque isto de aficionado é coisa de tourada e eu nunca gostei de homens em “collants”.
Não percebo como é que se pode achar que “o ténis é uma ritualização do combate levada a um extremo absurdo, porque não há contacto físico entre os jogadores”. Eu não vejo isso como uma coisa má. Sou uma mulher jovem, tenho as minhas fantasias, mas ver o Nadal e o Federer aos abracinhos e apalpões não é uma delas. E se “no ténis ninguém se lesiona por causa do adversário” eu não me importo. O meu conceito de desporto não inclui ver os participantes saírem de maca. Se eu quiser ver isso pego no carro e dou umas voltinhas pelos caminhos de Portugal, la la la la la ...
Não concordo de todo que “até a Fórmula 1 consegue ser menos entediante”. Eu consigo aborrecer-me em frente a um televisor durante duas horas a ouvir v v v v v v v e a ver carros a passar pela meta várias vezes mas só depois de passar mais de 50 vezes é que parece que vale.
O post que aqui estou a citar foi escrito por um homem. E deve ser heterossexual. É o que se conclui depois de ler isto: “o ténis é um desporto sinistro. Sinistro, sim. Como se explica que os jogadores de ténis sejam em regra muito mais giros do que os praticantes de outras modalidades”.Isto só tem mesmo desculpa, lá está, porque foi um homem que escreveu. Um homem que obviamente percebe muito mais de ténis do que eu mas não percebe nada de beleza masculina. Roger Federer não é um homem bonito e Rafael Nadal ainda menos. Isto para falar nos que estão na berra, porque exemplos de trambolhos no ténis não faltam: Guillermo Coria, Jim Courier, Nikolay Davidenko, Ivan Lendl, Wayne Ferreira, Leyton Hewitt, Petr Corda, Gustavo Kuerten, John McEnroe. E isto é só uma amostra. Sim, há Alex Corretja, é verdade, mas não quero falar dele porque não se deve misturar deuses com temas profanos.
Mas há mais: “O ténis é também o único desporto que sai beneficiado sempre que falta o som”. Pois, calculo que a Fórmula 1 sem o v v v v v v v constante perca a pica e o futebol é muito mais interessante com som, em especial quando os comentários são do Gabriel Alves. Ou, melhor ainda, quando os microfones estão estrategicamente colocados junto ao banco de suplentes e nós podemos disfrutar dos cara**** e fo**-** tão efusivamente proferidos. É poesia para os ouvidos.
E por falar em poesia, onde é que para além do ténis podemos encontrar uma modalidade desportiva com a pontuação a usar o termo “love”? Simplesmente amoroso!
Hoje aprendi contudo uma grande lição: “nunca escrevas um post em reacção a outro sem leres o primeiro até ao fim”. Isto vai passar a ser uma espécie de mandamento. Mandamento que se eu tivesse seguido tinha chegado à frase decisiva em que o autor assume ser “um sportinguista de esquerda [que] frequentou as escolas de ténis do Benfica”. Como já terão reparado a única palavra correcta aqui é “sportinguista” que peca apenas por não estar escrito em maiúsculas, a bold, sublinhado e com estrelinhas à volta. Mas aquela frase explica tudo.
Agora, para quem acha o ténis entediante, é só sintonizar a Eurosport ou a RTPN que estão a passar aquele momento verdadeiramente empolgante do desporto mundial chamado “Tour de France”.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Jorge Palma
Tudo o que eu vi
Estou a partilhar contigo
O que não vivi
Hei-de inventar contigo
Sei que não sei
Ás vezes entender o teu olhar
Mas quero-te bem
Encosta-te a mim
"O Insurgente"
Se a blogosfera fosse futebol eu diria que “O Insurgente” joga na “Champions League”. É um blog que acompanho há muito tempo e que muito aprecio. Agora trouxe até aqui muitos visitantes. Por esse motivo fica aqui declarado o 9 de Julho feriado no “Uma casa na Sibéria”. Voltem sempre.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
A torre dos Clérigos à vossa esquerda
"Good moaning!"
E nem vos conto o que me passou pela cabaça quando andava aqui por casa e ouço o nosso chefe de governo (vénia) utilizar na mesma frase “the important is to do the job quickly” e “mandate”. Como o meu inglês não é muito bom confundi "mandate" com "date a man". E quando ouvi "job" pensei que era... desculpem mas tenho ali um refugadinho que está a começar a pegar.
O Querido Líder
Para fazer esquecer um disparate nada como dizer outro. O sr. Câmara que quer a câmara distinguiu a falta de liderança: “ sem líder ficamos tristes”. Deve ser por isso que os coreanos andam sempre tão contentes.
domingo, 8 de julho de 2007
Diário de um morangueiro, dia 1
História de um morango
Incongruências
"O primeiro-ministro José Sócrates foi a personalidade mais vaiada da noite. Pouco antes da banda da GNR interpretar o hino, Sócrates surgiu nos ecrãs da Luz, ladeado por Cavaco Silva. A reacção do público foi imediata e os assobios ensurdecedores. "
"O público presente no Estádio da Luz manifestou-se à medida que as candidatas iam surgindo nos écrãs. Entre os preferidos estavam Machu Picchu (Perú), Stone Hedge (Grã-Bretanha) e o Taj Mahal (Índia), os três bastante aplaudidos.
Já a Estátua da Liberdade (Estados Unidos da América) não teve a mesma sorte. A reacção dos presentes - a candidata foi muito assobiada - já fazia antever que o monumento norte-americano não iria estar na lista das novas 7 Maravilhas."
Pensando bem, estes governantes e estes governados, se calhar até estão bem uns para os outros.
sábado, 7 de julho de 2007
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Cinco livros
Eis as últimas cinco leituras:
“A Estrada”, de Cormac McCarthy (estou quase a acabar, já conta ou não? se não, valem os próximos cinco);
“Avenida paulista”, crónicas de João Pereira Coutinho;
“A campânula de vidro”, de Silvia Plath;
“Animal Farm”, de George Orwell;
“As horas” de Michael Cunningham (pela primeira vez um filme muito melhor que o livro);
"A montanha mágica" de Thomas Mann.
Agora passo o desafio ao meu amigo Docas. Boas leituras!
Blog com grelos
Mais uma vez com um atraso considerável venho agradecer publicamente à Laurentina, do blog “Marginal Zambi”, pela atribuição do prémio “Blog com grelos”. Resolvi por isso redecorar aqui a casinha e pendurei os dois ali à direita à laia de diploma.Para quem não sabe o que é este prémio aqui vai o regulamento:
“O blogue com grelos premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta, ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e, com isso, tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor.”
Uma vez nomeada cabe-me agora atribuir as minhas nomeações. Aqui estão, por ordem alfabética:
Assumo aqui uma batotazinha mas passo a explicar. O Sociedade Anónima terminou (infelizmente) no passado dia 12 de Junho, vá lá saber-se porquê. Mas por tudo o que ali se escreveu ao longo de quase dois anos tinha que o incluir nesta lista. Já encontrei uma Soca no "Aspirina B" mas não sei onde andam as outras. Se o facto de estar extinto invalidar a minha nomeação é só substituir pelo http://www.meditacaonapastelaria.blogspot.com/
terça-feira, 3 de julho de 2007
Eternamente actual
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Camisola amarela
Miguelito foi o primeiro a chegar ao estádio ainda este estava fechado. “Senti-me como o Solnado quando chegou à guerra”, disse o jogador. Miguelito sentou-se à espera a rezar para que alguém chegasse com a chave.
domingo, 24 de junho de 2007
Eu é que sou o presidente da junta
Nunca gostei desse tipo de tarefas. Sempre fui boa aluna, aplicada mas nada participativa nas aulas. Uma voraz timidez impedia-me de dar uma resposta numa aula mesmo que a soubesse e atrofiava as minhas relações com os colegas. Acrescente-se a isto uma dose de individualismo e a mania de controlar tudo e temos então a aluna imperfeita para os “trabalhos de grupo”.
Desde cedo aprendi a contornar a situação. Tinha uma amiga com quem trabalhava bem e então passei a adoptar a seguinte estratégia: além de nós duas convidava para o grupo os dois alunos mais preguiçosos da turma. Para eles era uma beleza porque tinham quem fizesse o trabalho por eles; para nós era garantia de total controlo da situação.
Não se assustem. O tópico de hoje não é a minha bizarra adolescência. Lembrei-me destes acontecimentos quando hoje lia no jornal “Público” a notícia do acordo entre os 27 da União Europeia quanto ao novo tratado. Porquê? Porque naquela foto na página dois com Sócrates ao centro o nosso primeiro esboça um sorriso que parece o sorriso desses meus colegas quando recebíamos a nota pelo trabalho: um sorriso de quem não fez nada mas se põe na primeira fila para receber os louros. Esta mesquinhice com a ênfase colocada no facto de o tratado definitivo vir a ser redigido durante a presidência portuguesa e vir, por isso, a chamar-se Tratado de Lisboa parece-me provinciana. E, a ver pela apregoada complexidade do tratado, tal como os meus colegas de grupo, Sócrates não fará ideia do que dele consta.
Ah e já agora a Polónia: aquilo é como os adolescentes, é só tamanho!
sexta-feira, 22 de junho de 2007
As white as it gets
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Pastoral automobilística
Vem isto a propósito do mais recente “hobby” de Sua Santidade o Papa Bento XVI. Ali mais ou menos entre uma beatificação e a nomeação de um cardeal, deve o Santo Padre ter-se deparado com algum tempo disponível e, vai daí, resolve que deve competir ao Vaticano instituir os 10 mandamentos da condução automóvel. Calculo que isto se deve ao facto de não ter por perto um livrinho de “Sudoku” com que se entreter.
A notícia consta da edição “online” de hoje do Times para quem não acredita. Para quem não se quer dar ao trabalho de ler, eu conto.
Trata-se de um documento de 58 (!) páginas intitulado “Guidelines for Pastoral Care of the Road” onde se aconselha os automobilistas a conter a sua raiva na estrada, a respeitar os direitos dos peões e a fazer o sinal da cruz antes de arrancar. Esta última, se calhar, tendo em conta como se conduz em Portugal, é capaz de não ser má ideia. Recomenda-se ainda que não se usem os automóveis como forma de exteriorização de riqueza, que dará origem à inveja alheia, e a não utilização de gestos rudes. Aqui calculo que se refiram à utilização do dedo médio. Já quanto à utilização do indicador ou mindinho para propósitos como coçar o cérebro não há qualquer referência. Lamentavelmente.
Convidado a comentar o assunto, o cardeal Renato Martino explicou que “os carros tendem a trazer ao de cima o lado primitivo dos seres humanos”. Ora eu não podia discordar mais. Como mulher, recordo que as minhas primitivas tinham como funções exclusivas cozinhar e tratar da criançada. Como condutora que sou esse meu lado nunca vem ao de cima: pego no carro para largar os miúdos na creche e para ir comprar comida feita.
Quanto ao mandamento n° 5, segundo o qual não devem os carros constituir uma ocasião para o pecado, explica o mesmo cardeal que tal se refere à utilização do veículo para engatar (o termo é meu) prostitutas. Suspiram de alívio todos aqueles cujos automóveis são oportunidades de pecado com as respectivas namoradas ou vizinhas, nomeadamente no banco de trás.
Quanto a vocês não sei, mas a mim irrita-me um bocadinho ter de acatar conselhos de alguém que não conduz, anda num carro blindado que não dá mais de 20 km/hora e que vive encravado nas muralhas do Vaticano. Venha Sua Santidade passar uma manhã, só uma basta, no IC 19 e depois combinamos aí um cafezinho para discutir o assunto.
Boas conduções!
terça-feira, 19 de junho de 2007
Do Portugal Profundo
Se especifico o estatuto da minha interlocutora é para deixar claro que qualquer que seja a minha relação com as pessoas com quem falo em nenhuma circunstância me abstenho de dizer o que penso. Não guardo as minhas posições polémicas para as partilhar apenas com os amigos enclausurada entre quatro paredes e não deixo a opinião de vão de escada para os meramente conhecidos. Quanto ao facto de o tópico ser o estado de Portugal, lamento a falta de originalidade.
Nunca em outro momento da minha vida me senti tão desiludida com o meu país. Muitos dirão que já aqui se viveu muito pior. Admito que sim. Mas nasci em 1973. Não tenho por isso qualquer experiência pessoal com o Portugal da ditadura e só em finais dos anos 80 terei começado a ter uma visão crítica sobre o que me rodeava. Com a entrada na então chamada CEE acreditei que apanharíamos o comboio do progresso. Ainda que tivessemos de viajar algum tempo na última carruagem poucas vezes duvidei que chegaríamos à primeira classe. Não preciso fazer o resumo do que daí para a frente aconteceu. Ou melhor, do que não aconteceu. Não aconteceu o Portugal que eu pensava ser possível. Pelo contrário, aconteceu chegar a 2006 e este revelar-se o ano com a maior perda do poder de compra nos últimos 21 anos.
Mas isto são apenas números e estes, já se sabe, serão sempre fáceis de contornar, quanto mais não seja acusando quem os apresenta de não saber fazer as contas.
O meu desabafo de hoje vem na sequência de alguns acontecimentos na cena nacional que me inquietam e que passa por este clima “pidesco” que estamos a viver. Poderão pensar que chamar-lhe “pidesco” é exagero mas não sei se teremos tido, nos anos recentes, outro momento tão crítico no que à liberdade de expressão diz respeito. Aquilo que temos visto faz o episódio do contraditório de Rui Silva parecer brincadeira de miúdos.
Mas não é da censura...perdão, auto-regulação, dos meios de comunicação social que falo. Esse fenómeno não é novo nem exclusivo nosso. Veja-se o caso recente com o Presidente da República em França, Nicolas Sarkozy. As famosas imagens do presidente francês após o encontro com Vladimir Putin apresentando-se, digamos, atordoado, nunca passaram nas televisões francesas a pedido do Eliseu. Porém, temos hoje ao nosso dispor um meio, a internet, por enquanto livre, que faz com que seja mais rigoroso o escrutínio, neste caso, dos políticos. E graças ao YouTube não só viram os franceses como vimos todos nós. Pelo menos até ao dia de hoje já viram 3.218.783 de internautas...
O motivo da minha indignação, que se veio juntar à inquietação já suscitda pelo caso Charrua, é a notícia de que António Balbino Caldeira, autor do blog “Do Portugal Profundo”, foi convocado para prestar declarações, como arguido, no caso “Dossier Sócrates”. Para os menos bem informados lembro que Caldeira, professor do Instituto Politécnico de Santarém, foi o primeiro a suscitar no seu blog dúvidas sobre o percurso académico e utilização do título de engenheiro por parte do primeiro ministro. A convocação foi feita primeiro por telefone e, depois, por fax, algo que parece suscitar algumas dúvidas quanto à sua legalidade. Acrescente-se a instauração de processos disciplinares após denúncia por sms e temos a optimização dos recursos tecnológicos por parte dos funcionários do estado.
É importante não esquecer que “Do Portugal Profundo” é a criação de um homem de coragem. Não só por ter trazido para a esfera pública uma questão que, ao contrário de muitos, acho relevante, mas sobretudo porque nunca se escudou atrás do anonimato. A via mais fácil teria sido a criação de um outro blog, anónimo, para tratar este caso. Não foi o que aconteceu e Caldeira só peca por ingenuidade, primeiro por acreditar que vivia num país livre e, depois, por pensar que a colocação de um disclaimer o colocaria ao abrigo de consequências judiciais.
Muitos dirão que tudo não passa de manobras de intimidação. Mas que um governo democraticamente eleito recorra a manobras de intimidação é aquilo a que eu chamo uma “chavização” da sociedade. Verdade lhes seja feita: eles avisaram, na pessoa de Jorge Coelho, que “quem se mete com o PS, leva”. Estúpidos somos nós que não os levámos a sério.
E, já agora, eu estarei metida em sarilhos por causa DESTE post???????????,
P.S. Só há pouco descobri que o António Balbino Caldeira é ISCSPiano, como eu (ainda na Junqueira). Como se fossem precisos mais motivos para me solidarizar com ele...
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Alcochete
sábado, 16 de junho de 2007
E não ter sido por sms foi uma sorte...

Esta é a t-shirt para usar no dia em que o António Balbino "do portugal profundo" Caldeira for a tribunal. Ainda me vou lixar por causa disto...
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Como sabemos
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Compras na feira
Gosto da feira e gosto da sua localização. Não concordo com os que defendem que a feira deve ser uma festa: soa a barulho e no meio de livros não é o que pretendo.
Este ano inovei porque fui sozinha. O atractivo é que prestamos mais atenção às conversas alheias (é feio, mas é giro...) o que significa divertimento acrescido. A sensação com que fiquei é que quem ali se desloca aos pares troca entre si conversas, de preferência sobre livros, e solta assim uns “bitaites” na esperança de que um qualquer editor esteja escondido debaixo de algum estrado e o convide a seguir para escrever qualquer coisinha.
Aqui estão as minhas compras:


sexta-feira, 8 de junho de 2007
Oh de lei de lei I ú…
Muito obrigada
Este post tão madrugador é uma private joke que agora não tenho tempo de explicar. Já viram as horas que são?
quarta-feira, 6 de junho de 2007
GPS para a blogosfera, já
Quanto a quem até aqui chegou procurando por “aventuras sexuais nas férias” lamento, mas raramente, mesmo muito raramente, vou de férias!
Prometo que é o último
domingo, 3 de junho de 2007
Oh sô guarda, saia da frente
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Dia Mundial da Criança

Mas como tudo na vida deve ser analisado sob várias perspectivas aqui vai outra, ligeiramente diferente, mas que não deixa de ser a de muitos aqueles que, como eu, ainda não cederam à maternidade/paternidade:
Dia Feliz para todos!
quinta-feira, 31 de maio de 2007
1+2=...é fazer as contas
Revista Sábado, que sai à quinta, página 88, secção sociedade, artigo sobre os bastidores de uma novela da TVI intitulado “A ilha de Moniz”:“Há dois realizadores – um argentino e dois portugueses -, actores de luxo...”
Hmm...dois? UM argentino e DOIS portugueses? Mas isso não faz, sei lá, tipo...TRÊS?
É caso para dizer: eles andam aí, são três e andam aos pares.
terça-feira, 29 de maio de 2007
Um vizinho no caminho
Não sei se já aqui partilhei a pouca atenção que presto aos dias disto e daquilo e sei lá mais o quê. E nestes incluo o dia da Mulher, dos avós, dos namorados, amantes ou quejandos. Os últimos deve ser por não ter nenhum deles: nem namorado nem amante e o mais foneticamente próximo de quejando só mesmo queijadas de Sintra quando por lá ando. E nem sempre porque os travesseiros da Piriquita saem sempre vitoriosos na hora de decidir.A cada ano que passa alguém decide atribuir um dia do ano ao que quer que seja e devo andar tão mal informada que desconheço que ocasiões deveria eu estar a festejar. Hoje, curiosamente, celebra-se o dia europeu dos vizinhos. Não podia vir mais a jeito uma vez que é tema que ando para abordar aqui há algum tempo.
Há dias atrás vi-me na iminência de fotografar dois espécimes da minha vizinhança e exibi-los aqui. Só não o fiz porque no dia em que alguém cá da terrinha aqui viesse parar sem querer não teria dúvidas quanto à proprietária desta casa na Sibéria e eu não quero que eles saibam onde passo férias. Assim como não pretendo expor-me em demasia sinto que devo estender esse privilégio aos meus vizinhos e não publicitar aqui estes modelos exclusivos que rodeiam a minha residência.
E por enquanto estou apenas a referir-me aos modelos estilísticos. Digamos que uma das vizinhas é uma espécie de “female white version” do Stevie Wonder enquanto a outra, não a conhecesse eu a vida toda, e diria que uma afegã tinha acabado de aterrar aqui. Não, não tenho nada contra afegãs, mas se algum dia vier a ter uma como vizinha que tenha ao menos um bocadinho de bom gosto. O exemplar que não poucas vezes aqui tenho perante o meu já adestrado olhar veste única e exclusivamente de roxo. Uma espécie de “burka” de remendos sempre acompanhada por calçado a condizer, geralmente forrado pela própria. O tecido que sobra dessa árdua tarefa é posteriormente aplicado ao balde do lixo e, desconfio, a ver pela devoção violeta, a outros equipamentos domésticos. O Gene Wilder tinha uma “Woman in Red”, eu tenho aqui uma “Woman in Purple”. Dirão vocês: “cada um tem o que merece”. Digo eu: a viver num sítio assim nem é preciso ir ao cinema. E é isso mesmo que isto aqui parece: uma sala de cinema. Há uns banquinhos que eu ainda não tive tempo de dinamitar (alguém tem o número do Almeida Santos?) que poderiam bem ser as cadeiras de uma qualquer sala de cinema e a minha casa é o ecrã gigante.
Já terão percebido que a perspectiva de vizinhança que aqui se aborda não é uma perspectiva urbana tipo a do 2° esquerdo ou a do 3° direito. É mais a da vizinha da frente, a do lado, a de ali mais à frente e a de já a seguir. Não me interpretem mal: gosto dos meus vizinhos. Mas eles são como as crianças: o seu melhor é quando não nos moem o juízo. A metáfora é infeliz, eu sei, mas apostei com uma amiga em como eu conseguia fazer metáforas mais estúpidas que o ministro Mário Lino.
Mas não se pense que a minha vizinhança é tão somente um atentado à visão. Outros sentidos saem a perder na contenda. Quanto ao olfacto e ao tacto não posso dizer porque tenho uma espécie de “restraining order” que os proíbe de se aproximarem de mim num raio de 5 metros (distância que vai da minha janela aos banquinhos ainda não dinamitados). Mas a audição, meu Deus, a audição!!!
Estatisticamente, e porque fica sempre bem exibir uns números, cerca de 90%* dos meus vizinhos são verdadeiros Ferraris da capacidade vocal: vêm equipados com o melhor conjunto de pulmões, diafragma e cordas vocais. Atingem os 130 decibeis mais depressa do que o Ferrari passa dos 0 aos 100. E isso tanto pode ser a dizer “bom dia” quando se cruzam na rua como quando se encontram para comprar o pão numa carrinha que aqui apita pela manhã (160 decibeis...).
O expoente máximo da calamidade chama-se Hugo. Mais uma vez vos peço que não me interpretem mal: o Hugo é um anjinho (not really...) de 3 anos de idade. O Hugo faz o que lhe compete: brinca. A avó do Hugo não faz o que lhe compete: tomar conta dele. O que faz ela então? Instala-se num dos banquinhos com demolição agendada e vocifera: “oh Hugo, não vás para aí”; “oh Hugo, olha os carros”; “oh Hugo, olha que vem aí o homem do saco” (versão entretanto actualizada para “oh Hugo, olha que vem aí o gajo caucasiano com mais ou menos um metro e setenta, careca na cabeça e com cabelo comprido na nuca). Uma tarde passada em casa e ouço isto tantas vezes quantos os directos da SIC Notícias a partir da Praia da Luz para dizer que não há nada a dizer.
Anseio pelo dia em que o Hugo tenha idade suficiente para poder ir “para ali” (onde quer que isso seja) e que tenha idade para conduzir carros em vez de fugir deles. Só assim a avó sossega. E eu também.
Gosto dos meus barulhentos vizinhos. São gente para vir aglomerar-se à minha porta cada vez que o Sporting é campeão (como já repararam poucas vezes precisam quebrar a “restraining order") ou para me trazer um chá se eu estiver doente. Mas acreditem que há dias em que gostava que fossem assolados por um surto de disfonia. E já agora eu também gostava de ganhar o euromilhões. I wonder which will happen first...
* os outros 10% são a percentagem que trabalha com alguma regularidade
Tomate nacional é bom

Como alguns terão já reparado pela leitura da caixa de comentários, foi-me há dias atribuído por uma companheira blogueira um prémio intitulado “Blog com tomates”. Nunca ganhei qualquer prémio na vida e nunca pensei que caso viesse a ganhar se chamaria assim. Mas lá que gostei, gostei. E aqui o blog corou como um tomate...
Pois a falta de tempo não me tem permitido dedicar a esta questão com a deferência que ela merece. Mas de hoje não passa.
Parece que faz parte dos regulamentos, primeiro, exibir o prémio. Ora aí está ele pendurado na parede. Em segundo lugar caber-me-á agora atribuir mais 5 prémios “Blog com tomates”. Depois de muita ponderação, ok, alguma, tá bem pronto, não foi preciso pensar muito porque é fácil chegar à conclusão que estes 5 (e muito mais de cinco...)os têm no sítio, cá vai a minha lista (ordem alfabética):
http://alcomicosanonimos.blogspot.com/
http://marginalzambi.blogspot.com/
http://marretas.blogspot.com/
http://rititi.com/
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/
Agora vou ver se descubro como é que faço as minhas nomeações chegarem à administração...
domingo, 27 de maio de 2007
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Campanha musical
Ú-Ú
Ié-Ié
O António Costa
É monhé
Numa TV perto de si
The Three Stooges
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Notícia de última hora
Praça de taxis
este seria o aspecto da praça de taxis do novo aeroporto caso este viesse a ser construido na margem sul...
quarta-feira, 16 de maio de 2007
domingo, 13 de maio de 2007
Falta um bocadinho assim
Equipamento alternativo
Notícias romanas
E do que falo? De “Roma”, com estreia marcada para amanhã (2ª temporada), na RTP 2.
“Roma” é uma série co-produzida pela já aqui mencionada HBO e pela BBC, vencedora de vários “Emmy” e cuja primeira temporada acompanhei com muito entusiasmo.

A 1ª temporada retrata Roma a partir de 52 a.C. quando Júlio César se prepara para regressar após 8 anos de guerras na Gália que estabeleceram o domínio romano no norte e centro da Europa. O regresso faz-se triunfal, acompanhado pelos seus leais homens, na posse de muito ouro e escravos. Na agenda trazia a pretensão de transformações sociais radicais que encontram oposição na facção conservadora do senado romano, encabeçada por Pompeu. Dois soldados, Lúcio Voreno e Tito Pullo abortam os planos de Pompeu e terão a gratidão eterna de Júlio César. Muito da série passa pela saga destes dois soldados da legião romana e das suas famílias.
“Roma” movimentou recursos humanos (uma equipa de mais de 400 pessoas) e financeiros (100 milhões de dólares) raramente vistos e as suas gravações tiveram lugar nos famosos estúdios Cinectità, em Itália. É uma produção que retrata com muita fidelidade os factos históricos e muito do que vemos ali é o que temos hoje: crises, traições e intriga política entre homens que têm como móbil único a preservação do seu lugar na sociedade. Some things never change...
A notícia menos boa é que o horário (22h40) coincide com “Desperate housewives”, na Fox. Mas garanto-vos que não vou perder nenhuma destas séries.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Visual DNA
Nem estas brincadeiras na Internet conseguem fazer com que eu descubra coisas novas a meu respeito...Fiz o meu Visual DNA, que aqui publico (i gotta get a life!!!)e, surpreendentemente (not really...), na lista de "people who match your Visual DNA", a percentagem maior que consigo é...53%!Gente do mundo inteiro a fazer este disparate e não consigo mais do que uma compatibilidade de 53%. Por pouco chumbava.
Já agora,"love bug"?? E onde é que isso pica??
quarta-feira, 9 de maio de 2007
terça-feira, 8 de maio de 2007
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Mário, foi Lin(d)o
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Segô ou Sarkô, quem ganhou?
A quatro dias da segunda volta das eleições francesas, Segolène Royal e Nicolas Sarkozy encontraram-se, ontem, para o derradeiro debate. A SIC Notícias tinha programado a sua transmissão em diferido às 0h30m, horário absolutamente proibitivo para quem trabalha no dia seguinte. Optei por ver o debate na TV5 Monde a partir das 20h00, em directo e na versão original, razão pela qual peço desculpa se cometer algumas imprecisões.Foi um debate longo (2h30m...) mas não enfadonho. Interessante. Tão interessante quanto é possível ser um debate com este formato: cuidado em garantir o mesmo tempo para cada candidato, controlado ao minuto e com moderadores cuja interferência se resumiu a lançar os temas para cima da mesa.
Gosto de ver estes debates pelo seu conteúdo mas não sou alheia à forma. E aí estivemos perante algo impensável em Portugal. Patrick Poivre d’Arvor e Arlette Chabbot, os jornalistas moderadores, dirigiram-se aos candidatos assim: Segolène Royal e Nicolas Sarkozy. Sem Madame ou Monsieur. Menos ainda senhores doutores. E dizemos nós que os franceses são vaidosos...
Ainda às voltas com a forma, quando os jornalistas saudaram os candidatos perguntando como estavam, a Royal saiu um “très bien” tão baixinho que por mim podia ter dito “fixe” que ninguém dava por isso. Sarkozy não só foi mais expansivo como tratou de logo ali apoderar-de de mais de um minuto.
Talvez se justifique já esclarecer que ideologicamente me sinto mais próxima de Nicolas Sarkozy. Admito que, enquanto mulher, me agradaria ver Segolène Royal à frente dos destinos da França. Assim a jeito de experiência. Mas o mundo não é um laboratório e quando se trata dos seus destinos pouco me importa se é homem ou mulher, preto ou branco.
Não discordo em absoluto quando a imprensa de hoje diz que o resultado foi um empate. Mas apenas e só porque Sarkozy está mais à vontade nas questões económicas e Royal nas questões sociais. Mas foi, digo eu, um empate sem golos.
Ainda assim gostei mais da prestação de Sarkozy. Royal pareceu-me tensa de início face a um Sarkozy mais descontraído. Ele, com uma postura de político profissional; ela, com um discurso inicial nitidamente pré-programado quase como se houvesse um teleponto. Contudo melhorou nitidamente ao longo das duas horas e meia de debate.
Os temas abordados foram os que preocupam os franceses mas que não lhes serão certamente exclusivos: concepção do poder, dívida, emprego, pensões, habitação, saúde, fiscalidade, educação, Europa, imigração e reforma das instituições. Faltou, na minha perspectiva, que se discutisse onde cada candidato se situa na relação com os EUA.
Sarkozy foi mais preciso nas propostas e no domínio dos números. Royal, das poucas propostas concretas que apresentou, saiu-se com a de que cada mulher das forças policiais seja acompanhada a casa, à noite, por um elemento masculino, ideia que visa combater os mais recentes casos de violações.
A faísca verdadeiramente só apareceu quando o tema foram as 35 horas de trabalho. Tema que, aliás, não foi favorável a nenhum dos candidatos. Sarkozy, que é nitidamente contra, não assume a coragem para voltar atrás. Segolène, que é a favor, não soube explicar como assegurar o pleno emprego, ancorando-se sempre no apoio dos parceiros sociais. Não menos efusivo o debate à volta da questão nuclear e das necessidades energéticas da França. Segundo a imprensa de hoje ambos estavam enganados quanto aos valores da importância da energia nuclear em França que, segundo os especialistas é de 40%, ao contrário dos 17% defendidos por Royal e os 50% defendidos por Sarkozy.
Quanto aos outros temas foi aqui que Sarkozy marcou pontos. Não tanto pelas ideais que defende mas como as defende. Enquanto Royal andava às voltas procurando não dar respostas definitivas que a possam comprometer no futuro, o candidato da UMP foi peremptório: não à adesão da Turquia, não à VI República, não a um novo referendo a uma nova constituição europeia, não à abertura da França a países que não se abrem à França (“ a França não pode acolher toda a misérias do mundo”).
Quando, na parte final, foram convidados a fazer uma apreciação pessoal mútua, Sarkozy não se negou e mostrou apreço pela competência da sua adversária e referiu que não foi em vão que ela chegou até ali. Já Segolène preferiu enfatizar o combate de ideias insistindo que ambos pensam de forma diferente, não tendo proferido quaisquer palavras de carácter pessoal em relação ao seu adversário.
Antes de dar por terminado o debate a cada um foi dada oportunidade de se dirigir aos franceses pela última vez naquela noite. Sarkozy voltou a falar de acção realçando o valor do mérito, do esforço, da recompensa do trabalho. Segolène, que não tinha querido ser pessoal, não se coibiu de referir ser mãe de quatro filhos. Falou da importância de ser mulher, de audácia (Barack Obama de saias?? ) e do exemplo de Angela Merkel.
Não voto nas eleições em França. Se votasse, antes do debate votaria em Sarkozy. Depois do debate também.
Ele chama-lhe “choix de vie” e assumiu: “je me suis preparé pour cet rendez-vous”. E, digo eu, preparou-se também, toda a vida, para ser presidente da República Francesa.
Vive la France!
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Aceleras da calçada
O “Times On Line” publica hoje o resultado de um estudo liderado por Richard Wiseman (com um nome destes esperavam-se outros interesses, mas enfim…), professor de Psicologia na Universidade de Hertfordshire, segundo o qual a velocidade a que caminhamos aumentou em 10% desde 1994, data do último estudo.A investigação foi conduzida em 32 cidades e a campeã em peões aceleras é, pasmem de espanto, Singapura! Uma cidade asiática...i did not see that one coming! A culpa, dizem, é da tecnologia hoje ao nosso dispôr, que nos torna impacientes e convictos de que podemos fazer tudo, advindo daí consequências para a nossa saúde e vida social.
Mas tenho outro interesse para além do resultado do estudo. O artigo no “Times” termina com um questionário de 7 perguntas às quais podemos responder de modo a descobrir se somos, também nós, aceleras da calçada. Cinco ou mais respostas positivas significa que sim.
Ora eu quero através deste meio, e revelando as minhas respostas, provar à minha família e aos meus amigos que eles estão errados a meu respeito quando dizem que preciso abrandar o meu ritmo de vida e que ando demasiado depressa. Isto porque apenas UMA vez respondi SIM neste questionário de elevadíssimo rigor cintífico. Senão vejam:
Do you seem to glance at your watch more than others?
Não. Estou sempre tão ocupada e tão absorvida com o meu relógio que não tenho tempo para ver se os outros olham muito para o relógio ou não.
When someone takes too long to get to the point, do you want to hurry them along?
Não. Porque quando finalmente “they get to the point” eu já lá não estou.
Are you often first to finish at mealtimes?
Não. Porque enquanto estou a comer estou a ver as notícias, a falar ao telefone e a navegar na net.
When walking along a street, do you feel frustrated because you are stuck behind others?
Não. Nunca fico “stuck behind others” porque consigo andar mais depressa do que eles.
Would you become irritable if you sat for an hour with nothing to do?
Não. Tenho sempre tanta coisa para fazer que não disponho de uma hora sem nada para fazer.
If you are caught in slow-moving traffic, do you seem to get more annoyed than other drivers?
Não. Fico um nadinha mais irritada do que os que vão à minha frente mas seguramente menos do que os que vêm atrás.
Do you walk out of restaurants or shops if you encounter a short queue?
Sim. Pronto, esta é então a única resposta positiva. É que se tiver uma fila pequena é porque não é lá muito bom. Se fosse tinha uma fila grande, né?
Espero que não levem a mal ter deixado as perguntas em inglês, língua original do estudo e do questionário. É que assim o blog parece, sei lá, interessante e eu pareço, tipo, esperta. Além disso com tantas palavras em inglês o pessoal vai ao Google à procura não importa de quê e caem aqui que nem tordos. O contador agradece.
terça-feira, 1 de maio de 2007
Quem me leva este fantasma
Pois o mesmo me aconteceu hoje. Um amigo fala no seu blog do último trabalho de Pedro Abrunhosa. E hoje, tal como da primeira vez que ouvi a canção, enquanto Abrunhosa cantava, eu ouvia na minha cabeça algo completamente diferente. Acho que o Júlio Magalhães tem o mesmo problema.
Para perceberem melhor do que estou a falar ouçam aqui o mais recente trabalho de Abrunhosa mas com esta letra que vos sugiro:
Aquele era o tempo em que bolsos se fechavam
E na Assembleia as palavras voavam
E eu via o salário a fugir entre os dedos
E o Urso Maior que tirou a ferros
Curso de engenharia sem ser estudante
Exames escondidos em obscuras estantes
E a UnI vazia foi tomada de assalto
E alguns pediam:”nada de sobressalto”
Quem me leva este fantasma
Quem me salva do Primeiro
Que diz que é engenheiro
Quem me leva este fantasma
Quem me leva este fantasma
Quem me salva do Primeiro
Que diz que é engenheiro
Aquele era o tempo em que vagas se abriam
Em que os “boys” entravam, enquanto outros saíam
E eu bebia uns copos para tentar esquecer
Tropeçava e caía numa rua qualquer
Para onde me vire não vejo futuro
Nem sequer à estalada ou mesmo a murro
E alguém me gritava com voz de pateta
Que o caminho se faz, depois da OTA sem cheta
Refrão
De que serve ter eleições se o destino está traçado
De que serve um Parlamento quase nunca empenhado
De que serve a oposição que de ideias está deserta
De que serve o meu talento se ninguém quer esta letra
Refrão
P.S. Este é o post n° 100. Ultrapassou em 99 as minhas expectativas!
























