segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Let's party

A criação deste blog, há precisamente um ano, é indissociável da cerimónia de entrega dos Óscares. A 25 de Fevereiro de 2007, para combater o sono enquanto a festa não começava, dei início à brincadeira de fazer um blog convencida que a aventura não ultrapassaria os comentários à festa. Afinal, um ano depois e passada mais uma celebração do cinema, por cá continuo.
Ao contrário do ano transacto não vou analisar em pormenor o que aconteceu no Kodak Theatre. Primeiro, porque não aconteceu grande coisa; segundo, porque a capacidade física, que tem andado pelas ruas da amargura, não me permitiu aguentar além das três da manhã. Mas gravei e já vi. E bocejei. E fiz muito “fast forward”, o que dá imenso jeito cada vez que os comentadores da TVI abrem a boca. Não sei que disparates terão dito este ano e parece-me que isso é bom para mim.
Foi uma noite murcha, sem centelha de brilho. Jon Stewart tem, na minha perspectiva, o mesmo problema de Conan O’Brien: depois da piada, a pausa e expressão facial à espera dos aplausos.
Quanto à cerimónia propriamente dita não houve um único momento digno de ficar na memória. Em palco nada mais aconteceu para além das prestações por parte dos nomeados para melhor canção. E, fraquinhas como eram, melhor era não terem acontecido. Até a repescagem de momentos passados foi a prova que a cerimónia foi preparada em cima do joelho, fruto da indecisão quanto à greve dos argumentistas. Quem tenha em casa aqueles DVD ou VHS que celebram os “Oscars’ Greatest Moments” identificou uma boa parte deles (o discurso em linguagem gestual de Louise Fletcher, o nu que atravessa o palco atrás de David Niven, as “new faces on the old faces” de Johnny Carson...), o que prova que nem se deram ao trabalho de fazer nova pesquisa de imagens.
Não vou também comentar os trajes que se exibiram. O Oscar de melhor actriz secundária, atribuído a Tilda Swinton, foi dos primeiros da noite e, depois de confrontar os meus olhos com uma indumentária daquelas, qualquer trapinho parecia “haute couture”.
Os discursos também não merecem grandes observações. Não se repetiu o momento Gwyneth Paltrow, a chorar baba e muco nasal, ou o momento “bebi 32 cafés e tomei uma quantas pastilhas” de Cuba Gooding Jr. Pelo contrário, a ver pela quantidade de sotaques diferentes que tivemos este ano, sugiro legendagem em 2009. E já agora, no que diz respeito a sotaques, a tradição já não é o que era: onde é que já se viu, um espanhol a falar inglês em condições? Bardem que ponha os olhos em Penélope Cruz (segundo as revistas cor de rosa, as mãos já ele pôs...) e em Antonio Banderas.
Mas nem tudo foi banal nesta noite. Destaco como melhor momento ver Cormac McCarthy em pé, no meio da plateia, a aplaudir efusivamente os irmão Coen pela adaptação da sua obra, “No country for old men”. Nada mal para quem, até há menos de um ano, nunca tinha dado uma entrevista televisiva ( e apenas duas para a imprensa escrita) ao longo de uma carreira de 40 anos. É caso para dizer: a noite dos Óscares é “no place for shy men”.


P.S. Para celebrar o 1° aniversário, e como por aqui as festas não costumam ser regadas a “champagne”, mudou-se apenas a decoração ali em cima. Sempre fica melhor em dia de festa. Mesmo correndo o risco de parecer abichanado :-)

3 comentários:

Okelani disse...

Parabéns :-)

Docas disse...

Amiga, Parabéns! E prometo continuar a acompanhar-te e a fazer-te companhia! Curioso, como já referi que nem achei mau de todo esta cerimónia, acho que sou tão fã de cinema, que deliro com tudo isto... Só direi que preferi a Ellen DeGeneres no ano passado a apresentar! E apesar das fracas canções...que dizer dos irlandeses...para mim foi o momento da noite...aquele regresso ao palco da rapariguita checa!!!! Beijos

Zézinha disse...

E já passou um ano...!
Parabéns amiga pela persistência, pois nem sempre é fácil fazer frente ao cansaço da vida do dia-a-dia. E obrigada pela boa disposição e pelo sentido de humor fora de série.
E obrigada também ao Tio Sam e ao Tio Óscar por te teram servido de inspiração.
Beijocas e Keep going!